A relação entre racismo ambiental e vulnerabilidade a desastres
a construção social do risco de deslizamentos em Santos, São Paulo
DOI:
https://doi.org/10.55663/rbdu.v12i22.1121Palavras-chave:
racismo ambiental, vulnerabilidade socioambiental, gestão de riscos e desastres, justiça climática, cartografia críticaResumo
O artigo examina a relação entre segregação socioespacial e desigualdade racial na cidade de Santos, São Paulo, com foco na vulnerabilidade a deslizamentos. A partir de uma abordagem interseccional entre raça e classe, o estudo buscou analisar como o racismo ambiental amplifica a exposição ao risco em áreas ocupadas por populações não brancas e de baixa renda. Para tanto, foi aplicada uma metodologia qualiquantitativa, que faz uso da cartografia crítica para estabelecer uma relação entre vulnerabilidade social e distribuição racial em áreas de risco a deslizamentos em Santos (SP). Os dados foram processados utilizando o software ArcGIS, com base em indicadores do Índice Paulista de Vulnerabilidade Social, do Censo Nacional do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e da Base Territorial Estatística de Riscos. Além disso, foi feita a comparação de dados habitacionais e socioeconômicos entre as áreas de riscos e o cenário municipal. Assim, a pesquisa revelou que a vulnerabilidade a desastres é multifatorial, resultado não apenas de fatores naturais e geofísicos, mas de uma produção social do território que perpetua desigualdades raciais históricas. O estudo defende a necessidade de políticas públicas que reconheçam as dimensões estruturais do racismo ambiental para promover a justiça social e climática.
Downloads
Referências
ALMEIDA, Silvio. Racismo estrutural. 1a ed. São Paulo: Editora Jandaíra, 2020.
ASSIS DIAS, Mariane Carvalho De et al. Estimation of exposed population to landslides and floods risk areas in Brazil, on an intra-urban scale. International Journal of Disaster Risk Reduction, v. 31, April, 2018. p. 449–459.
BENTO, Cida. O pacto da branquitude. Companhia das letras. 2022.
BRASIL. Lei nº 601, de 18 de setembro de 1850. Lei de Terras. Dispõe sobre as terras devolutas do Império e sobre a sua venda e concessão. Coleção das Leis do Império do Brasil, Rio de Janeiro. 1850.
BRASIL. Constituição, 1988. Constituição da República Federativa do Brasil de 1988. Brasília, DF: Presidência da República. 1988. Disponível em: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm. Acesso em: 20 fev. 2023.
BULLARD, Robert. Environment and morality: confronting environmental racism in the United States. New York: United Nations Research Institute for Social Development. 2004.
DAVIS, Angela. Mulheres, raça e classe. Boitempo editorial. 2016.
FERREIRA, Marcos Cesar. Iniciação à análise geoespacial: teoria, técnicas e exemplos para geoprocessamento. 1a ed. São Paulo: Editora Unesp, 2014.
GAGO, Verónica. A potência feminista ou o desejo de transformar tudo. 1a ed. Tradução. Editora Elefante. 2020.
GANTUS-OLIVEIRA, Talita. Planejamento territorial urbano para gestão de riscos e resiliência a desastres: um estudo de caso em Santos, São Paulo. 2023. 366 f. Tese (Doutorado em Geociências) – Universidade Estadual de Campinas, Instituto de Geociências, Campinas, 2023. Disponível em: https://www.repositorio.unicamp.br/acervo/detalhe/1371689. Acesso em: 04 abr. 2025.
GANTUS-OLIVEIRA, Talita. Vulnerabilidade de gênero e raça e o olhar interseccional sobre os desastres. Revista Estudos Feministas, v. 32, p. e92823, 2024.
HOLIFIELD, Ryan. Defining environmental justice and environmental racism. Urban geography, v. 22, n. 1, p. 78-90. 2001.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Censo, 2010. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 2010. Disponível em https://censo2010.ibge.gov.br/. Acesso em: 23 jan. 2023.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE). Censo, 2022. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 2022. Disponível em https://www.ibge.gov.br/estatisticas/sociais/trabalho/22827-censo-demografico-2022.html. Acesso em: 20 mar. 2025.
INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA (IBGE); CENTRO DE MONITORAMENTO E ALERTA DE DESASTRES NATURAIS (CEMADEN). Base Territorial Estatística de Risco (BATER). 2018. Disponível em https://www.ibge.gov.br/geociencias/organizacao-do-territorio/tipologias-do-territorio/21538-populacao-em-areas-de-risco-no-brasil.html?=&t=downloads. Acesso em: 23 jan. 2023.
INSTITUTO DE ESTUDOS, FORMAÇÃO E ASSESSORIA EM POLÍTICAS SOCIAIS (PÓLIS). Resumo Executivo de Santos. São Paulo: Instituto Pólis. 2012.
MARTINS, Maria Isabel Figueiredo Pereira de Oliveira; MATIAS, Lindon Fonseca. “Mapeamento da distribuição do uso da terra urbana em Santos (SP)”. RA’E GA - O Espaço Geográfico em Análise, v. 46, 2019. p. 185–203.
MARX, Karl. O Capital-Livro 1: Crítica da economia política. Livro 1: O processo de produção do capital. Boitempo Editorial. 2015.
MBEMBE, Achille. Necropolítica. 1ª edição. São Paulo: n-1 Edições, 2018.
OMI, Michael; WINANT, Howard. Racial formation in the United States. Routledge. 2014.
PRADO JR., Caio. História econômica do Brasil. São Paulo: Brasiliense, 2006.
ROLNIK, Raquel. Guerra dos lugares: a colonização da terra e da moradia na era das finanças. Boitempo Editorial. 2017.
SHAH, Fatima; RANGHIERI, Federica. A workbook on planning for urban resilience in the face of disaster. Washington, D.C.: World Bank. 2012. Acesso em: 23/01/2023.
SOUZA, Clarissa Duarte de Castro. Planejamento urbano e políticas públicas em projetos de requalificação de áreas portuárias: Porto de Santos-desafio deste novo século. 2006. Tese (Doutorado em Arquitetura e Urbanismo) – Universidade de São Paulo, Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, São Paulo, 2006.
UNISDR, Estratégia Internacional das Nações Unidas para a Redução de Desastres. Como Construir Cidades Mais Resilientes: um guia para líderes do governo local. 2012, Genebra: UN Office for Disaster Risk Reduction. 2012. Disponível em: http://www.unisdr.org/files/26462_guiagestorespublicosweb.pdf. Acesso em: 23 jan. 2023.
UNITED NATIONS. Sendai Framework for Disaster Risk Reduction 2015-2030. In: 69th session of the United Nations General Assembly, 69th, 2015, Sendai. 2015. Disponível em: https://www.undrr.org/publication/sendai-framework-disaster-risk-reduction-2015-2030. Acesso em: 04 abr. 2025.
YADAV, Punam et al. A feminist vision for transformative change to disaster risk reduction policies and practices. International Journal of Disaster Risk Reduction, v. 54, 15 fev. 2021.
ZAIDI, R. Zehra; FORDHAM, Maureen. The missing half of the Sendai framework: Gender and women in the implementation of global disaster risk reduction policy. Progress in Disaster Science, v. 10, 1 abr. 2021.
Downloads
Publicado
Como Citar
Edição
Seção
Licença
Copyright (c) 2026 Revista Brasileira de Direito Urbanístico | RBDU

Este trabalho está licenciado sob uma licença Creative Commons Attribution-NonCommercial-NoDerivatives 4.0 International License.
Este periódico é licenciado por Creative Commons (CC-NC-ND-4.0 Internacional). A submissão e a publicação de artigos são gratuitos; Trabalhos avaliados por pares duplas cegas; o periódico utiliza o CrossCheck (antiplágio); e cumpre com o Guia dos Editores da COPE - Committee on Publication Ethics, além das recomendações Elsevier e SciELO. Veja os Termos da Licença Pública Creative Commons Atribuição-NãoComercial-SemDerivações 4.0 Internacional













